Manobrabilidade do Navio no concurso de prático de navios
Esta matéria estuda como o navio responde às forças que agem sobre ele: a resistência ao avanço, a propulsão, o leme, o vento, a corrente, as ondas e a proximidade do fundo, das margens e de outros navios. A matéria se apoia em hidrodinâmica e arquitetura naval para explicar como o navio guina, para, acelera e mantém (ou perde) o governo.
O conteúdo programático trata os mesmos temas duas vezes: primeiro pelo Principles of Naval Architecture (resistência, propulsão, lemes e controlabilidade) e depois por obras mais recentes, como o Ship Resistance and Flow, o Practical Ship Hydrodynamics e os livros de Edson Mesquita dos Santos. Fecha com os padrões de manobrabilidade da IMO, o comportamento em águas rasas e em canais, as manobras especiais, o movimento do navio em ondas e os documentos de manobra que ficam a bordo (pilot card, wheelhouse poster e manoeuvring booklet).
O que cai (Anexo 2-A, Bloco I)
A numeração é a do anexo. Os subitens completos estão no Anexo 2-A publicado pela DPC.
- 1.
Resistência do navio: friccional, de ondas, de forma e apêndices, wave-breaking, ar e vento, ondas do mar, variação de calado e águas rasas
- 2.
Propulsão do navio e propulsores: teoria da propulsão, interação casco-propulsor, geometria da hélice, cavitação, tipos de propulsores e propulsor parcialmente submerso
- 3.
Superfícies de controle (lemes): geometria, sustentação e arrasto, escoamento em torno do leme, razão de aspecto, leme fixo × flap e influência da forma do casco
- 4.
Controlabilidade do navio: estabilidade de governo, manobras-padrão, aceleração, parada e distâncias de parada, rudder cycling, coasting, equipamentos auxiliares de parada e efeitos do meio ambiente (vento, corrente, ondas e interação com águas rasas, bancos, canais estreitos e outros navios)
- 5.
Resistências do navio e métodos para sua obtenção: ensaios com modelos, métodos empíricos e numéricos, leis de conservação, similaridade física (números de Reynolds, Froude, Weber, Euler e de cavitação), resistência de ondas e viscosa, camada limite, previsão experimental e potência efetiva (Froude, ITTC-78, fator de forma)
- 6.
Propulsão do navio e propulsores: parâmetros e geometria do hélice, teoria da propulsão, cavitação, abordagem experimental, pressões induzidas, vibração e ruído, tipos de propulsores e interação casco-propulsor (dedução de empuxo, coeficiente de esteira, eficiência do casco e tipos de potência)
- 7.
Superfícies de controle (lemes): efetividade, forças e momentos, ângulo de estol, tipos de leme, interação leme-propulsor e leme-casco, leme fixo × flap, cavitação e projeto do leme para os critérios de manobrabilidade
- 8.
Controlabilidade do navio
- conceito e padrões IMO de manobrabilidade
- movimento em seis graus de liberdade, forças de inércia e forças hidrodinâmicas (asa-casco, momento de Munk, derivadas hidrodinâmicas, escoamento cruzado)
- estabilidade de movimento, curva espiral direta (Dieudonné) e reversa (Bech) e manobra de pull-out
- governo e controle: curva de zigue-zague, índices e modelo K-T de Nomoto, ponto pivô
- curva de giro, adernamento em curva (PIANC) e critérios IMO de parada (métodos ROM e PIANC)
- forças de vento e de corrente
- águas rasas (squat, lama fluida) e águas restritas (efeitos de banco e de canal, interação entre navios)
- manobras especiais (back and filling, manobra em Y, homem ao mar, entre outras)
- ondas: mar regular e irregular, RAO, forças de Froude-Krylov, difração, radiação e restauração, forças de deriva de segunda ordem e mar adverso (surf-riding, broaching, balanço síncrono e paramétrico)
- documentos de manobrabilidade a bordo: pilot card, wheelhouse poster e manoeuvring booklet
Bibliografia sugerida (Anexo 2-B, Bloco I)
- CRENSHAW, Russell Sydnor. Naval Shiphandling. 4. ed. Annapolis: U.S. Naval Institute, 1975. Cap. 2 (Forces Affecting the Ship).
- LEWIS, Edward V. (ed.). Principles of Naval Architecture. 3. ed. Jersey City: SNAME, 1988-1989. Vol. II, cap. V (Resistance, seções 1, 3, 4 e 5) e cap. VI (Propulsion, seções 1, 2, 4, 6, 7 e 10); Vol. III, cap. IX (Controllability, seções 1, 3, 4, 5, 6, 10, 12, 13 e 14).
- LARSSON, Lars; RAVEN, Hoyte C. Ship Resistance and Flow. PAULLING, J. Randolph (ed.). Jersey City: SNAME, 2010. Caps. 1 a 8.
- BERTRAM, Volker. Practical Ship Hydrodynamics. 2. ed. Oxford: Elsevier, 2012. Caps. 2 (Propellers), 3 (Resistance and Propulsion) e 6 (Ship Manoeuvring).
- IMO. Explanatory Notes to the Standards for Ship Manoeuvrability. MSC/Circ.1053, 16 dez. 2002. Caps. 1 a 3.
- IMO. Standards for Ship Manoeuvrability. Resolução MSC.137(76), 4 dez. 2002.
- SANTOS, Edson Mesquita dos. A Manobrabilidade do Navio no Século 21. 1. ed. Rio de Janeiro: CONAPRA, 2021. Caps. 2 a 11.
- SANTOS, Edson Mesquita dos. Princípios de Hidrodinâmica e Ação das Ondas sobre o Movimento do Navio. 1. ed. Rio de Janeiro: CONAPRA, 2021. Caps. 3 e 4.
- IMO. Revised Guidance to the Master for Avoiding Dangerous Situations in Adverse Weather and Sea Conditions. MSC.1/Circ.1228, 11 jan. 2007.
- IMO. Provision and Display of Manoeuvring Information on Board Ships. Resolução A.601(15), 19 nov. 1987.
Conteúdo conferido com a NORMAM-311/DPC (Mod. 5, de 21/09/2026) e com os Anexos 2-A e 2-B (revisão de 30/04/2026). O edital de cada processo seletivo pode alterar os assuntos e define as edições da bibliografia que valem para a prova.
