Como se tornar um Prático de navios?
O Processo Seletivo à Categoria de Praticante de Prático (PSCPP) é o caminho de entrada na praticagem no Brasil. Ele é conduzido pela Diretoria de Portos e Costas (DPC), da Marinha, e segue a NORMAM-311.
Para participar, você não precisa ser militar nem ter carreira na Marinha Mercante. A norma pede curso superior em qualquer área reconhecida pelo MEC e, entre outros requisitos, a habilitação de Mestre-Amador (ou ser aquaviário de convés ou de máquinas, de nível 4 ou superior).

Cronograma do PSCPP 2027
Cronograma tentativo divulgado pela Diretoria de Portos e Costas em 27 de abril de 2026. As datas podem mudar, e o número de vagas e o período de inscrições só saem com o edital.
- Julho de 2027 Divulgação do edital
- Novembro de 2027 Prova escrita
- Fevereiro de 2028 Convocação para os eventos complementares
- Junho de 2028 Resultado final
Quais são os requisitos para ser prático?
1
Ser brasileiro, homem ou mulher, com pelo menos 18 anos completos até a data fixada no edital.
2
Ter curso de graduação (nível superior) reconhecido pelo MEC e concluído até a data fixada no edital.
3
Ser aquaviário da seção de convés ou de máquinas, de nível 4 ou superior, ou Prático ou Praticante de Prático, até a data fixada no edital; ou ser, no mínimo, Mestre-Amador até o último dia das inscrições, inclusive.
4
Não ser militar reformado por incapacidade definitiva nem civil aposentado por invalidez.
5
Estar em dia com o serviço militar (candidatos homens) e com a Justiça Eleitoral.
6
Ter CPF e documento oficial de identidade válido, com foto.
7
Pagar a taxa de inscrição e cumprir as regras do processo seletivo.

Quais são as etapas do processo seletivo?
O processo seletivo tem quatro etapas (NORMAM-311, art. 2.6). O edital de cada edição traz os pesos, as datas e os detalhes.
1ª etapa – Prova escrita (eliminatória e classificatória): cobre as sete matérias do conteúdo programático (Anexo 2-A) e pode ter textos e questões em português e em inglês. É eliminado quem tirar menos da metade da nota da prova ou não ficar entre os candidatos chamados para a 2ª etapa.
2ª etapa – Documentos, seleção psicofísica e teste de suficiência física (eliminatória): comprovação dos requisitos, dados cíveis e criminais e entrega dos títulos; perícia por Junta de Saúde da Marinha, com exames complementares definidos na norma; e o teste físico, com quatro provas:
| Prova | Homens | Mulheres |
|---|---|---|
| Barra fixa | 4 repetições (dinâmica) | 15 segundos de isometria (estática) |
| Natação, 50 m | menos de 1 min 30 s | menos de 2 min 20 s |
| Flutuação, sem tocar bordas ou fundo | 20 minutos | 10 minutos |
| Corrida ou caminhada, 2.400 m | até 14 min 30 s | até 16 min |
Quem não passar em alguma prova do teste físico tem uma segunda e última chance, conforme o edital.
3ª etapa – Prova de títulos (classificatória): pontua experiência marítima, como tempo de embarque, comando de embarcação, dias de mar e categoria, posto ou graduação de aquaviários e militares da Marinha. O edital define quais títulos valem e quantos pontos.
4ª etapa – Prova prático-oral (eliminatória e classificatória): feita em inglês, de preferência no Centro de Simuladores do CIAGA, no Rio de Janeiro, sobre o mesmo conteúdo programático da prova escrita.
A classificação final soma as provas escrita, de títulos e prático-oral. Os aprovados são distribuídos pelas Zonas de Praticagem conforme a classificação, o número de vagas e as opções que o edital permitir.
Depois da aprovação: o candidato recebe o Certificado de Praticante de Prático, válido por 21 meses, e cumpre na Zona de Praticagem um Programa de Qualificação de 12 a 18 meses, acompanhado por um Prático monitor. Depois vem o Exame de Habilitação para Prático, feito a bordo diante de uma banca. A NORMAM-311 lembra que essas fases não fazem parte do processo seletivo (art. 2.6.4) e que as despesas para participar e para se manter até a habilitação correm por conta do candidato (art. 2.5.3).
O que cai na prova: as 7 matérias do PSCPP
O conteúdo programático está no Anexo 2-A da NORMAM-311, revisado pela DPC em abril de 2026. O edital pode acrescentar ou alterar tópicos.
-
Matéria I
Manobrabilidade do Navio
Esta matéria estuda como o navio responde às forças que agem sobre ele: a resistência ao avanço, a propulsão, o leme, o vento, a corrente, as ondas e a proximidade do fundo, das margens e de outros navios. A matéria se apoia em hidrodinâmica e arquitetura naval para explicar como o navio guina, para, acelera e mantém (ou perde) o governo.
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Matéria II
Arte Naval
Arte Naval é a matéria do navio na prática: nomenclatura, geometria e classificação dos navios, trabalhos marinheiros, poleame, aparelhos de fundear e estabilidade. Sobre essa base vêm as manobras: governo com um ou mais hélices, atracação e desatracação, fundeio, amarração, troca de atracadouro e emprego de rebocadores.
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Matéria III
Navegação em Águas Restritas
É a navegação em águas de praticagem: canais de acesso, rios e portos, com espaço e profundidade limitados. A matéria vai da base (carta náutica, agulhas, marés e correntes de maré, publicações e auxílios à navegação) até a determinação visual da posição, as linhas de posição de segurança e a navegação radar, inclusive a navegação paralela indexada.
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Matéria IV
Legislação e Regulamentação
Esta matéria cobre as regras que organizam a navegação e a praticagem no Brasil: a LESTA e o RLESTA, a lei do Tribunal Marítimo e os inquéritos sobre acidentes e fatos da navegação, a NORMAM-311 (o serviço de praticagem) e a Lei nº 14.813/2024, que regulamenta a atividade de praticagem.
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Matéria V
Meteorologia e Oceanografia
Esta matéria trata do tempo e do mar com que o navegante trabalha. Cobre a meteorologia para navegantes (pressão, ventos e brisas, nuvens, nevoeiro, precipitação, massas de ar, frentes e ciclones) e a leitura dos produtos do dia a dia: boletins, imagens de satélite, cartas sinóticas, o Meteoromarinha e as cartas piloto.
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Matéria VI
Comunicações
Esta matéria cobre como o navio se comunica com terra, com outros navios e dentro do próprio passadiço. O centro é o SMCP, as Frases Padrão de Comunicação Marítima da IMO: procedimentos, ortografia, marcadores de mensagem, números, posições, rumos e distâncias, o glossário (inclusive os termos do VTS) e as frases de comunicação externa, de bordo e as mensagens padrão do GMDSS.
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Matéria VII
Conhecimentos Gerais
Conhecimentos Gerais reúne os temas em volta da manobra. O primeiro é o planejamento portuário: como os canais de acesso são projetados (diretrizes da PIANC e recomendações do CONAPRA), a análise de risco, os limites ambientais de operação, a simulação de navios e as regras da folga dinâmica abaixo da quilha no Brasil (NORMAM-224).
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Perguntas frequentes
Quando será o próximo concurso de prático (PSCPP)?
Em 27 de abril de 2026, a DPC divulgou que iniciou os trabalhos para o próximo processo seletivo, com um cronograma tentativo: edital previsto para julho de 2027 e prova escrita prevista para novembro de 2027. As datas oficiais só valem quando o edital for publicado no Diário Oficial da União e no site da DPC.
Quantas vagas o concurso de prático vai oferecer?
O número de vagas por Zona de Praticagem só será conhecido com o edital, publicado no Diário Oficial da União e no site da DPC.
Preciso ser da Marinha para ser Prático?
Não. O Prático e o Praticante de Prático não são militares nem servidores públicos (NORMAM-311, art. 2.1). Quem não é aquaviário pode participar com a habilitação de Mestre-Amador, além dos demais requisitos.
O Prático ocupa cargo público?
Não. A NORMAM-311 diz que o processo seletivo não se destina a cargo ou emprego público: ele preenche as vagas de Prático previstas no edital, por Zona de Praticagem.
Qualquer curso superior serve?
Sim. A norma pede curso de graduação reconhecido pelo MEC e concluído até a data do edital, sem exigir área específica.
Até quando preciso ser Mestre-Amador?
Até o último dia das inscrições, inclusive (NORMAM-311, art. 2.2.3). Para chegar a Mestre-Amador, é preciso primeiro ser Arrais-Amador e depois fazer a prova de Mestre-Amador numa Capitania, Delegacia ou Agência. Cada uma tem seu próprio calendário de provas, então vale se organizar com antecedência.
Existe idade máxima?
Os requisitos da NORMAM-311 (art. 2.2) fixam só a idade mínima de 18 anos e não trazem idade máxima. A aptidão é verificada na seleção psicofísica e no teste de suficiência física. Confira sempre o edital da edição.
Como é o teste físico?
São quatro provas: barra fixa, natação de 50 m, flutuação e corrida ou caminhada de 2.400 m, com índices diferentes para homens e mulheres. Quem não passar em alguma prova tem uma segunda e última chance.
A prova tem inglês?
Sim. A prova escrita pode ter textos e questões em inglês, e a prova prático-oral é feita em inglês (NORMAM-311, art. 2.7.4 e 2.16.3).
A bibliografia sugerida é obrigatória?
Não. O Anexo 2-B serve de orientação e não esgota os assuntos do conteúdo programático. Para as provas escrita e prático-oral, valem as edições que o edital indicar para cada obra.
Posso escolher a Zona de Praticagem?
Quando há vagas em mais de uma Zona de Praticagem, o edital pode permitir que o candidato concorra a mais de uma. As regras de opção e de distribuição saem no edital. Depois da distribuição, a troca de zona entre candidatos não é permitida.
E se a candidata estiver grávida?
A gestação, por si só, não elimina. A candidata grávida faz as demais etapas e é selecionada de forma condicional; tem até 12 meses, a contar da homologação do resultado, para fazer a seleção psicofísica e o teste físico (NORMAM-311, art. 2.13.12, 2.18.6 e 2.20.6).
Para que etapa o Curso Prático prepara?
Para a prova escrita, com material organizado pelas sete matérias e pela bibliografia sugerida pela DPC.
Conteúdo conferido com a NORMAM-311/DPC (Mod. 5, de 21/09/2026) e com os Anexos 2-A e 2-B (revisão de 30/04/2026). O edital de cada processo seletivo pode alterar os assuntos e define as edições da bibliografia que valem para a prova.
